"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

13.6.17

Nem lembrava disso

Eu sempre estava esquecendo algo.
Um pendrive, um documento, um compromisso, uma panela no fogo, uma lampada acesa.
Esquecia o que ia fazer assim que saia de casa, trocava os caminhos, esquecia de buscar alguém, esquecia onde tinha deixado as chaves, sempre foi assim. Tentei criar várias estratégias, mas simplesmente elas não davam certo.
Não é que eu goste de esquecer ou tenha dificuldade em lembrar das coisas, é apenas minha cabeça que não funciona como a sua. E eu não posso fazer nada muito efetivo para mudar isso, eu tentei várias vezes, mas foi só frustração, de alguns, em ter que repetir as coisas mil vezes, e minha por me sentir absurdamente estupida em não conseguir lembrar de coisas (às vezes) tão simples.

Desisti de lembrar.

Deixa minha cabeça esquecer mesmo, que aí as sensações depois de esquecidas se tornam em primeiras novamente.
Deixa que eu esqueça o que ia fazer, porque aí eu arrumo uma coisa mais divertida pra me ocupar.
É bom esquecer alguns compromissos, algumas datas, alguns deveres.

Deixa eu esquecer daquele beijo, aí você me beija novamente.
Deixa eu esquecer da história do filme, que ele será novo para nós.
Deixa eu esquecer do caminho da tua casa, porque aí você me busca na sua garupa.
Deixa eu esquecer da reunião com o orientador, que eu durmo mais um pouco no teu peito.
Deixa que minha cabeça tá esquecendo das coisas ruins, e criando lembranças boas.
Deixa que eu esqueço o passado e me ocupo com esse presente lindo.
Deixa eu esquecer do que você me falou ontem, aí você fala de novo, e de novo, e de novo...

Deixa eu me lembrar que esquecer às vezes é muito bom!

Um comentário:

  1. Ela voltou!

    Com os posts cada vez mais lindos!
    continua Briiii

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