"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

10.10.18

sofrer pra que?

Dia desse eu tava no telefone com uma amiga:

"Que escroto amiga, não acredito que ele fez isso!", "Que cachorro! Fica assim não amiga, você é muito melhor do que isso", "Ele não te merecia", "Não valia a pena", "se valorize".

No outro dia, minha irmã estava conversando com a amiga:

"Não consigo acreditar", "Muito hipócrita", "amiga, pelo amor de Deus, esquece esse cara", "tá vendo que ele tá te fazendo de besta".

Depois vi minha tia no telefone com a amiga dela:

"Ele é um ordinário, cretino", "Você não precisa se submeter as sandices dele", "viva sua vida, ele vai se arrepender, de ter perdido você!", "é um canalha, deixa ele pra lá"


Até quando a gente vai sofrer por amor?
Será que a gente nunca aprende?

As vezes acho que esquecemos a capacidade que temos de sofrer,
ou então permanecemos com 16 anos pra sempre!


30.9.18

de novo. será ?

Lá está ela de novo.
Pegando sol na mesma praia, mergulhando no mesmo mar e entregando a alma ao diabo.
Tem coisa que não se aprende, e tem erro gostoso de se errar.
Sem danos permanentes, apenas uma queimadura de quem brinca com fogo.
Mas o coração dela é incêndio, e amor só se for de 3º grau.

Lá está ela de novo.
Se drogando com aquele cheiro, que gruda na roupa, no corpo, na alma.
Das coisas que não se aprendem, ela não aprendeu a dizer adeus.

21.9.18

A gente que sabe

Essa paz é toda inquietude que reside no peito, e que rasga a carne até conseguir fugir.
Essa inquietude é toda alma, calma tsunami que me arrasta pro fundo do mar de ti.
Essa calma é esteio, é tua voz que assossega meu sono nos braços teus.
Essa voz que é embalo, é sussurro, é urro, no pé do ouvido meu.


Que esses dias passem devagar, porque meu coração já está acelerado demais!

13.9.18

Infinitos

Eu tenho essa incrível habilidade de me apaixonar por você
Várias vezes de formas diferentes.
E várias vezes de forma igual.
Consigo querer e desquerer você agora,
E no segundo seguinte querer-te ainda mais.

Eu me apaixono pelas várias risadas que você dá
E por tudo de simples que você faz.
Porque eu odeio rotina,
Odeio a mesma coisa todos os dias, e você mudou isso,
Você não é óbvio.

E uma porta nova se abre todos os dias pra mim.
Com infinitas possibilidades.
Eu era como um vulcão adormecido, até você chegar.

Eu me apaixonaria por você mil vezes, em mil vidas diferentes.
E eu faria tudo por você de novo, da mesma maneira.
Você se faz infinito, e esse infinito cabe perfeitamente em mim.

6.9.18

sobre partidas

Hoje eu saí no meio do trabalho
Andei até a praça mais próxima.
Meu coração ainda desesperado.
Sentei na banca de revista.
Dois cigarros e um cafézinho com aspirina
Dois lencinhos de papel para algumas lágrimas que insistem.
Peguei um ônibus e fui pra casa, deixei a moto no estacionamento do trabalho.
Quando entro, as flores são as primeiras coisas que vejo.
Tem um vinho do dia anterior aberto na geladeira.
Abro a rolha com muita força
Respinga vinho por todo lado.
Três taças, abro outro.
Ainda tem chocolate no armário.
E a mensagem no meu telefone ainda sem responder.
Emojis de coração.
Um Poema de Neruda.
Mais dois cigarros.
Coração ainda celerado.
Minhas mãos suando.
Um embrulho no estômago, suspendo o vinho.
Mais um cigarro.
Ainda não consegui digerir e aceitar os fatos.


E todos os dias tem sido assim desde que você me disse que partiria






20.8.18

Você, meu bem

Você não caiu do céu, nem apareceu batendo na minha porta. Você foi o inesperado e sem pretensão que me apareceu, numa pastelaria de frente ao karaokê. Você conseguiu ser a exceção de muitas das minhas regras, e eu quebrei minhas próprias leis por você. Você é aquele neologismo quando eu quero procurar um adjetivo que melhor se encaixe, quando nenhum adjetivo é suficiente para definir você. Você não foi minha segunda opção, você é a minha escolha. Você passou a ser apenas meu, quando eu vi que já era só sua. E entre minhas rimas fora de contexto, tentei te fazer de poesia, mas poesia é subjetiva demais, abstrata demais, já você é real demais, concreto demais, verdadeiro demais para caber em meus versos. Você é aquele  predicativo do sujeito e o sujeito sou eu, você é meu verbo conjugado no futuro mais-que-perfeito, porque existe uma forma simples de conjugar o amor, e você me mostrou na prática, sem condições, imposições ou subtrações. Você me desfez, me virou do avesso, e eu abandonei algumas certezas na vida. Você me fez acreditar de novo e confiar de novo, você deu trégua ao meu coração cansado. E mesmo que não exista chão sob nossos pés, é segurando tua mão que quero percorrer esse caminho incerto e inseguro que somos nós.

6.7.18

Sofia, esperta

Sofia é minha vizinha, ela tem 4 anos, repito, quatro anos, ela estava brincando com Gabriel, que deve ter seus 5. Eu estava passando no meio dos brinquedos espalhados e tivemos um breve e profundo diálogo:

- Você é filha de quem? - Sofia me perguntou.
- De Marta, conhece?
- Não - ela respondeu.
- E tu, és filha de quem? - perguntei.
- De Michele.
- Também não conheço. E ele, é teu amigo? - perguntei, me referindo ao Gabriel.
- Não, ele é meu namorado! - Sofia respondeu prontamente. Fiquei sem saber o que dizer.
- Eu não sou seu namorado! - Gabriel protestou.
- Você é sim!!!! - sentenciou Sofia para nós.
O Gabriel acabou concordando, ela tinha muita certeza.
E eu saí dessa conversa tão atordoada que tropecei nas escadas.

Ah Sofia, tenho muito o que aprender com você!

3.5.18

te vejo

Eu te olhava como quem quer congelar o tempo.
E eu te via sorrindo, como uma criança que acabara de fazer uma arte
Gargalhando por ter me pregado alguma peça
Eu queria congelar o tempo quando eu olhava pra você.
E as vezes eu acordava no meio da noite pra te ver dormir.
Eu poderia passar todo o tempo olhando pra você

Você é a personificação dos sentimentos bons que eu guardo no peito
Você é o momento que eu congelei a muito tempo atrás para viver hoje.
Você é o lugar onde meus olhos encontram repouso e abrigo
E te ver aquece e derrete meu coração.