"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

3.5.18

Sobre nós

Sem seguir  a métrica e a homofonia,
eu rimei o tu comigo sem muito esforço.
Foi o juntar de corações que nos fazia
cada vez mais urgentes um para o outro...

23.2.18

Nosso carnaval

Eu acordei sem saber onde tava, e olhei para  a janela que dava para o mar, o sol nascia dali, e enchia o quarto de luz. Sentei, consegui reconhecer os livros, a mesinha, e senti sua mão na minha perna, você dormia atrás de mim. Sua barba ainda cheia de Glitter dos blocos que seguimos na noite anterior. E minhas pernas tão cansadas de tanto frevo. Fui ver que horas eram, e como sempre, acordei antes do despertador.
Todo aquele quarto, toda quela luz, tudo o que eu via naquele momento me dava paz.
As lembranças dos últimos três dias, as ladeiras, o suor, o calor, as quedas.
Nossas mãos dadas por aqueles becos, tendo aqueles casarões antigos como as únicas testemunhas do bloco eu e você.
Até que tudo virou cinzas e acordamos debaixo de chuva. Que folia!

Você é meu carnaval dentro e fora de época.
Minha fantasia favorita
Minha marchinha chiclete e
Confete colorindo o chão.
Minha quarta-feira de fogo depois de uma quarta-feira de cinzas!!

30.1.18

Vem, volta, fica

Quando ele voltar vai ouvir Lenine comigo, e vamos deitar naquela rede e ele vai fazer cafuné na minha cabeça.  Ele virá cheio de "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim", porque já aceitamos que todo o clichê faz parte do nosso ato. Quando ele chegar trará vinho, porque ele sempre traz vinho, e eu vou reconhecer o cheiro dele assim que ele cruzar a fronteira. Quando ele chegar eu estarei esperando uma mensagem para pegar minha moto e encontrá-lo, como se fosse aquela primeira vez. Ele vai sussurrar no meu ouvido tudo o que eu já sei, mas que ele insiste em dizer só por charme. E eu vou sorrir um segundo antes de beijá-lo. E nós vamos fugir de blitz, entrar em becos, e ele vai dançar a música que eu quiser. Quando ele voltar nós vamos andar de mãos dadas pela praia, pelas ruas na madrugada, até nos dar conta de que já fomos longe demais e tá na hora de parar e ficarmos juntos.

Venha amorzinho, vem cá ser meu romancinho maçã-do-amor e algodão-doce. Venha estabelecer essa paz. Um dia seguido do outro sem pressa, e mesmo diante de tantos outros, venha pra sempre compor meus dias!



23.1.18

Aquele primeiro beijo

Quando você me beijou.

Foi como se o chão saísse dos meus pés.
Foi como se brotasse uma flor de cada poro do meu corpo.
Foi como se todo o ar se enchesse de um cheiro gostoso de mar.
Foi como se o vento embaraçasse meus cabelos na moto.
Foi como se meu corpo estivesse em queda livre.
Foi como se meu coração tocasse zabumba.
Foi como me sentir aquecida no meio da chuva.
Foi como se eu tivesse acabado de correr, sem ar.
Foi como se eu fosse derreter sob tuas mãos.
Foi como se teus braços fossem o meu lugar no mundo.
Foi como se eu estivesse sonhando...

Mas foi tão real.
E é tão real, e você é tão real,
E quando eu vejo que você tá aqui deitado do meu lado eu quase paro de respirar de tanta euforia, e meu coração só falta saltar do peito, e meu corpo, minha mente tem tanta paz, que eu não sinto medo de nada.
Você é foda!


2.1.18

valeu 2017


2017 foi o ano mais sem pretensão que passei, lembro que na virada de 2016 pra 2017 eu pedi a Deus para este não ser o pior ano da minha vida, e gente... Não sei nem descrever o tanto de feliz que fui nesse ano de 2017, o tanto de coisa boa que me aconteceu, e tanta coisa que deu certo na minha vida.

O sentimento que carrego é só de gratidão, a Deus, ao universo, aos amigos,  as estrelas do meu mapa astral que fizeram um bom trabalho hahahaha...

Obrigada 2017, por me ensinar tanto, por me reerguer, por fazer de mim quem sou hoje.
Por me dar tempo pra pensar, tempo pra agir, pelos 365 dias de  muita lição.
Valeu cada experiencia, cada pessoa, cada rolê, cada beijo, cada sol, cada onda, cada dia...

Fui muito feliz em 2017 e sorri muito mais que 1000 vezes!
E em 2018 vou sorrir muito mais!

Viva!







12.12.17

Quilômetros de azul sem fim

Eu tentei me livrar de você, várias vezes. De várias formas. Mas parece que você dá um jeito de aparecer.

É assim, a gente quase que nem consegue fechar a porta antes de ir, porque a gente quer fugir e esquece a porta aberta.
Nós éramos uma urgência tão grande.
Ás vezes me pergunto se eu vou encontrar outra urgência dessa na vida de novo, porque eu acho que já gastei toda urgência que alguém poderia ter, com você. E isso é tão cruel, porque eu ainda queria ser urgente com outras pessoas, mas eu não sou. Eu sou indiferente às outras pessoas. Eu as deixo meses na sala de espera. Era diferente com você, fazia tanto sentido. Será que ainda faz? Era tão urgente querer você. Eu nem conseguia respirar.

Será que vai ser assim pra sempre, vou nadar quilometros sem fim e não chegar a lugar algum?

23.10.17

Sobre sua vida

Eu não quero saber da sua vida. Não quero saber o que você está fazendo, pra onde você foi, se trocou de carro, se saiu de férias, sério, não faz a menor falta. Apenas quero saber se quando você saiu da sorveteria com seu sorvete de creme com passas e foi atravessar a rua  você tropeçou na parte mais alta do asfalto, e aí você caiu em cima do sorvete e ao invés de se levantar você olhou pro chão e percebeu que esmagou o sorvete na sua blusinha de polo listrada branca com vermelho e ao invés de se levantar você disse "puta que pariu", só que nessa hora estava passando o caminhão da galinha e por um acaso, ou obra divina, sua cabecinha de corno estava na mesma linha da roda do caminhão, e o motorista estava falando com sua mulher no whats resolvendo qual seria a TV que eles comprariam, se teria ou não 3D, e como ele não viu você na pista acabou passando por cima de sua cabeça enorme e esmagando o pouco de cérebro que você tinha. A culpa não seria do motorista, nem da sua demora em se levantar do asfalto, nem muito menos da pista irregular, a culpa seria da sua péssima escolha por sorvete de passas, quando tinha um chocolate belga maravilhoso. E aí o inevitável aconteceria. Apenas isso me importa saber da sua vida, se o assunto não for esse, não prende minha atenção.
Pena que não passou de um pensamento...

5.10.17

resumindo

Às vezes tudo se resume num longo e lento suspiro.
Respira tempestade, expira brisa.

29.9.17

Das ruínas à Glória!

Quando meu relacionamento acabou, eu pensei que ali também era meu fim.
Eu imaginei que aquilo era tudo o que eu tinha na vida.
Eu pensava que ele era o cara mais fantástico do mundo, e que encontrar alguém como ele seria a tarefa mais árdua (pra não dizer impossível) que eu teria que enfrentar.
Eu estava vivendo um inferno.
Nada, absolutamente nada fazia sentido.
Perdera a melhor coisa que havia me acontecido até então.
Fiquei sem chão.

Passei dias, semanas, meses dormindo e acordando chorando, de cara inchada, sem vontade de sair, sem vontade de comer, sem vontade de viver!
Parei a dissertação, parei a academia, parei minha vida por conta de outra pessoa.
Tudo me lembrava ele, tudo tinha o jeito dele, o cheiro dele, a forma dele.
E tudo o que eu amava se tornou sem graça sem ele.

Eu fiquei arrasada, desmoronada, eu passei meses ali, nos escombros respirando poeira.
Pensando que a vida era aquilo ali, me apegando a qualquer lembrança boa que tenha sobrado daquela devastação.
Eu estava mesmo devastada. Sem esperança nenhuma de que a vida voltaria a ser boa.
Eu estava no chão!

Eu não me reconhecia. Aquela não era eu.
Na verdade eu não era eu a alguns anos, sempre me podando, tentando não errar, pisando em ovos, tentando agradar. E nunca agradava, que incrível!
Tudo que eu fazia nunca era o suficiente,
Sempre tinha uma mulher "mais bonita, mais inteligente e mais gostosa" que eu,
Assim, com essas exatas palavras.
Não importava o quanto eu me dobrasse e desdobrasse.
O quanto tentasse acertar, um deslize provocava um terremoto.

Mas aí a vida me deu uma chance, foi um estalo, um empurrãozinho pra que eu respirasse de novo, depois de ter engolido bastante água.
Peraí!! Essa não sou eu, essa não é a pessoa que quero ser. Tá doendo? Tá. Mas não vai doer pra sempre! Um dia passa!
Porra! Era a minha vida que estava ali!
Eu não passei tanto tempo tentando ser o que sou hoje, estudando, experimentando, me arriscando, investindo, pra ficar choramingando no chão!

A vida era minha, os sentimentos eram meus, era meu futuro, minha felicidade, e tudo isso dependia apenas de mim, e por mais que meu coração estivesse em pedaços o mundo não ia parar de girar para que eu colasse cada pedacinho! Minha felicidade não girava em torno de outra pessoa e nem dependia de ninguém a não ser de mim mesma! Não era a primeira vez que alguém partira meu coração, e nem seria a ultima.

Recolhi meus caquinhos, consertei, reconstruí, aprendi com meus erros, me ergui, mais forte que da ultima vez, sem usar ninguém pra isso, sem esconder os sentimentos, sem gerar ódio, sem mágoa, sem rancor.
Me reconciliei com a vida, mas antes disso me reconciliei comigo mesma, antes de perdoar erros alheios, perdoei os meus. Não me sentia condenável, nem presa a nada, muito menos ao passado.
Me apaixonei de novo, por mim mesma, pela vida e por tantas outras pessoas depois.

E eu, que havia pensado que era o fim, era só mais um recomeço,
Mais um inicio de uma nova fase, de uma nova era.
Todo o caos me serviu para mostrar que a vida pode ser linda mesmo depois de perdas,
E que ela pode prosseguir por mais insuportável que sejam essas perdas.
A vida pode ser boa novamente.
E ela é, incrivelmente boa!
E cá estou eu catando novos cacos, e reconstruindo!
Sou feita de retalhos!




29.8.17

De novo, de novo

Lá está ela de novo.
Pegando sol na mesma praia, mergulhando no mesmo mar e entregando a alma ao diabo.
Tem coisa que não se aprende, e tem erro gostoso de se errar.
Sem danos permanentes, apenas uma queimadura de quem brinca com fogo.
Mas o coração dela é incêndio, e amor só se for de 3º grau.

Lá está ela de novo.
Se drogando com aquele cheiro, que gruda na roupa, no corpo, na alma.
Das coisas que não se aprendem, ela não aprendeu a dizer adeus.