"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

23.10.17

Sobre sua vida

Eu não quero saber da sua vida. Não quero saber o que você está fazendo, pra onde você foi, se trocou de carro, se saiu de férias, sério, não faz a menor falta. Apenas quero saber se quando você saiu da sorveteria com seu sorvete de creme com passas e foi atravessar a rua  você tropeçou na parte mais alta do asfalto, e aí você caiu em cima do sorvete e ao invés de se levantar você olhou pro chão e percebeu que esmagou o sorvete na sua blusinha de polo listrada branca com vermelho e ao invés de se levantar você disse "puta que pariu", só que nessa hora estava passando o caminhão da galinha e por um acaso, ou obra divina, sua cabecinha de corno estava na mesma linha da roda do caminhão, e o motorista estava falando com sua mulher no whats resolvendo qual seria a TV que eles comprariam, se teria ou não 3D, e como ele não viu você na pista acabou passando por cima de sua cabeça enorme e esmagando o pouco de cérebro que você tinha. A culpa não seria do motorista, nem da sua demora em se levantar do asfalto, nem muito menos da pista irregular, a culpa seria da sua péssima escolha por sorvete de passas, quando tinha um chocolate belga maravilhoso. E aí o inevitável aconteceria. Apenas isso me importa saber da sua vida, se o assunto não for esse, não prende minha atenção.
Pena que não passou de um pensamento...

2 de Dez

Era um dia de sol como outro qualquer e uma festa como todas as outras. Tinha aqueles meus amigos de sempre, e pessoas desconhecidas de sempre, inclusive aquele rapaz de coque no cabelo e barba espessa que esbarrou na moça de cabelo desarrumado e derrubou sua bebida em cima do vestidinho de abacaxi dela. Ele sorrindo pediu desculpas, e ela leu em seus olhos os versos de Gonçalves Dias. E mais tarde esses olhos lhe ofereceriam amor em silêncio, como quem sussurra um segredo, e lhe encantariam com uma musica dedilhada no violão que contava sobre nuvens, céus e estrelas cadentes coloridas. E os dois deitados naquela grama úmida entrelaçariam os dedos e ela soltaria todas as amarras, e derrubaria todas as defesas, até aquele perfume de amor ser exalado pelos poros dela. Aquelas ondas de mar dos olhos verde-azúis bateram tão forte que amoleceram aquele coração de pedra aquariano. 

19.10.17

1 de Dez

Quando te vi pela primeira vez meu corpo paralisou
Eu fiquei sem respirar.
Eu me afoguei.
Eu não conseguia tirar meus olhos de ti.

E aí, teus olhos acharam os meus
Os meus desviaram.

Olhei pro chão procurando algo em que pudesse firmar meu olhar.
Algo que me prendesse ao chão.
Porque as ondas dos teus olhos me arrastavam,
E não havia nada que pudesse me salvar.

Nenhuma ancora no chão.
Nenhuma boia naquele mar.
Me vi a deriva
Refletida naquele azul de mar sem fim
Me vi presa em tuas profundezas

E eu não sei nadar.




5.10.17

resumindo

Às vezes tudo se resume num longo e lento suspiro.
Respira tempestade, expira brisa.

2.10.17

Tem estação que só é verão

Ah! Faz tempo que perdi o juízo.
Faz tempo que desisti de procurar.
Nesse mundo de paz e abrigo só tem nós dois.
Eu fujo, eu nego, eu finjo naturalidade, mas lá estou eu novamente entregue
Nos teus braços, no teu cheiro, nos teus cabelos
Em tuas mãos.
E não adianta quantos caminhos meus pés façam pra longe de ti
Se outras mãos seguram as minhas, se outros gostos me vem a boca
Meus pés sempre correm pra ti.
E meu caminho sempre cruza o teu.
E o mundo para, o tempo para
E as luzes continuam piscando ao nosso redor
Nada muda, tu és o mesmo, aquele riso bobo
E eu sou a mesma, rindo fácil das bobagens que você diz
Como no carnaval em que nos conhecemos
Somos os mesmos, mas agora sem mascaras
E você sabe que daqui uns dias eu fujo, mas eu sempre volto.
E você sempre com uma nova piada pra me ganhar,
Pra me lembrar porque eu acabo voltando depois de tanto rodar
Nosso amor de verão nunca morre, 
E cada estação é um caminho de volta que descubro
Porque eu já percebi que você é meu caminho sem volta.
E também, porque a gente é esculhambado mesmo.
E eu sei que esse final não foi o melhor, mas quem disse que é o fim?
[...]



29.9.17

Das ruínas à Glória!

Quando meu relacionamento acabou, eu pensei que ali também era meu fim.
Eu imaginei que aquilo era tudo o que eu tinha na vida.
Eu pensava que ele era o cara mais fantástico do mundo, e que encontrar alguém como ele seria a tarefa mais árdua (pra não dizer impossível) que eu teria que enfrentar.
Eu estava vivendo um inferno.
Nada, absolutamente nada fazia sentido.
Perdera a melhor coisa que havia me acontecido até então.
Fiquei sem chão.

Passei dias, semanas, meses dormindo e acordando chorando, de cara inchada, sem vontade de sair, sem vontade de comer, sem vontade de viver!
Parei a dissertação, parei a academia, parei minha vida por conta de outra pessoa.
Tudo me lembrava ele, tudo tinha o jeito dele, o cheiro dele, a forma dele.
E tudo o que eu amava se tornou sem graça sem ele.

Eu fiquei arrasada, desmoronada, eu passei meses ali, nos escombros respirando poeira.
Pensando que a vida era aquilo ali, me apegando a qualquer lembrança boa que tenha sobrado daquela devastação.
Eu estava mesmo devastada. Sem esperança nenhuma de que a vida voltaria a ser boa.
Eu estava no chão!

Eu não me reconhecia. Aquela não era eu.
Na verdade eu não era eu a alguns anos, sempre me podando, tentando não errar, pisando em ovos, tentando agradar. E nunca agradava, que incrível!
Tudo que eu fazia nunca era o suficiente,
Sempre tinha uma mulher "mais bonita, mais inteligente e mais gostosa" que eu,
Assim, com essas exatas palavras.
Não importava o quanto eu me dobrasse e desdobrasse.
O quanto tentasse acertar, um deslize provocava um terremoto.

Mas aí a vida me deu uma chance, foi um estalo, um empurrãozinho pra que eu respirasse de novo, depois de ter engolido bastante água.
Peraí!! Essa não sou eu, essa não é a pessoa que quero ser. Tá doendo? Tá. Mas não vai doer pra sempre! Um dia passa!
Porra! Era a minha vida que estava ali!
Eu não passei tanto tempo tentando ser o que sou hoje, estudando, experimentando, me arriscando, investindo, pra ficar choramingando no chão!

A vida era minha, os sentimentos eram meus, era meu futuro, minha felicidade, e tudo isso dependia apenas de mim, e por mais que meu coração estivesse em pedaços o mundo não ia parar de girar para que eu colasse cada pedacinho! Minha felicidade não girava em torno de outra pessoa e nem dependia de ninguém a não ser de mim mesma! Não era a primeira vez que alguém partira meu coração, e nem seria a ultima.

Recolhi meus caquinhos, consertei, reconstruí, aprendi com meus erros, me ergui, mais forte que da ultima vez, sem usar ninguém pra isso, sem esconder os sentimentos, sem gerar ódio, sem mágoa, sem rancor.
Me reconciliei com a vida, mas antes disso me reconciliei comigo mesma, antes de perdoar erros alheios, perdoei os meus. Não me sentia condenável, nem presa a nada, muito menos ao passado.
Me apaixonei de novo, por mim mesma, pela vida e por tantas outras pessoas depois.

E eu, que havia pensado que era o fim, era só mais um recomeço,
Mais um inicio de uma nova fase, de uma nova era.
Todo o caos me serviu para mostrar que a vida pode ser linda mesmo depois de perdas,
E que ela pode prosseguir por mais insuportável que sejam essas perdas.
A vida pode ser boa novamente.
E ela é, incrivelmente boa!
E cá estou eu catando novos cacos, e reconstruindo!
Sou feita de retalhos!




4.9.17

existe amor

O mundo é cheio de maldade por todos os lados.
E as coisas belas e que nos dão esperança as vezes não saem nas manchetes.
É aquela florzinha que o aluno leva para sua professora.
Aquele motociclista que parou na faixa para aquele casal atravessar.
Teve aquela plantinha que insistiu em brotar no asfalto.
E aquela rosa que desabrochou naquele hospital.
Aquele sorriso do menino que deu o primeiro passo com a prótese.
Aquela criança que mostrou seu dente caído para o seu avó, e o avó que sorriu banguelo de volta.
O mundo é cheio de esperança e amor.
E isso não ganha a primeira página.
Não é explícito, e assim temos que aguçar nosso olhar.
E ao invés de maldade, a gente encontra esperança.

29.8.17

De novo, de novo

Lá está ela de novo.
Pegando sol na mesma praia, mergulhando no mesmo mar e entregando a alma ao diabo.
Tem coisa que não se aprende, e tem erro gostoso de se errar.
Sem danos permanentes, apenas uma queimadura de quem brinca com fogo.
Mas o coração dela é incêndio, e amor só se for de 3º grau.

Lá está ela de novo.
Se drogando com aquele cheiro, que gruda na roupa, no corpo, na alma.
Das coisas que não se aprendem, ela não aprendeu a dizer adeus.

23.8.17

Infinito particular

Eu tenho essa incrível habilidade de me apaixonar por você várias vezes de formas diferentes.
E várias vezes de forma igual.
Consigo querer e desquerer você agora, e no segundo seguinte querer-te ainda mais.
Eu me apaixono pelas várias pessoas que você é, e pelas várias fases que você tem.
E por tudo de louco que você faz.
Porque eu odeio rotina, odeio a mesma coisa todos os dias, e você mudou isso.
Você me mudou, e mudou meu mundo.
E uma porta nova se abre todos os dias pra mim.
Com infinitas possibilidades.
E você me dá mais do que o óbvio.

Eu me apaixonaria por você mil vezes, em mil vidas diferentes.
E eu faria tudo por você de novo, da mesma maneira.
Você se faz infinito, e esse infinito cabe perfeitamente em mim.



14.8.17

Te salvei em JPEG

Eu vi tua foto, a foto nova do teu perfil.
Você estava sorrindo.
Com um copo na mão.
Whisky com gelo.
E tava de gravata.
Eu tava com você nesse dia.
Fui eu que tirei tua foto, debaixo da escada, de frente ao espelho.

Sabe quando você repete a mesma palavra várias vezes até ela perder o sentido?
Eu tava tentando fazer isso com você.

Eu olhava fixamente sua foto.
Passei quase duas horas olhando tua foto.
Ás vezes parecia que eu te conhecia
E logo depois você se tornava um desconhecido.
Eu não conseguia reconhecer aquele sorriso, e aquela barba.
Parecia que eu tinha passado a vida toda com você,
E no momento seguinte você era uma vaga lembrança,
Um borrão que eu não sabia de onde vinha.

Depois você não fez mais sentido pra mim.
Parece que nem foi pra você que disse: Eu te amo.
Parece que nem foi com você que eu ri até fazer xixi.
Parece que nem foi com você que eu senti meu coração pulsar na garganta.
Parece que nem aconteceu...

Que estranho né?
Eu pensei que fosse te amar pra sempre.

Eu ainda estou olhando sua foto, dessa vez buscando algum sentido.
Mas não há sentido algum. Sinto muito.