"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

6.9.18

sobre partidas

Hoje eu saí no meio do trabalho
Andei até a praça mais próxima.
Meu coração ainda desesperado.
Sentei na banca de revista.
Dois cigarros e um cafézinho com aspirina
Dois lencinhos de papel para algumas lágrimas que insistem.
Peguei um ônibus e fui pra casa, deixei a moto no estacionamento do trabalho.
Quando entro, as flores são as primeiras coisas que vejo.
Tem um vinho do dia anterior aberto na geladeira.
Abro a rolha com muita força
Respinga vinho por todo lado.
Três taças, abro outro.
Ainda tem chocolate no armário.
E a mensagem no meu telefone ainda sem responder.
Emojis de coração.
Um Poema de Neruda.
Mais dois cigarros.
Coração ainda celerado.
Minhas mãos suando.
Um embrulho no estômago, suspendo o vinho.
Mais um cigarro.
Ainda não consegui digerir e aceitar os fatos.


E todos os dias tem sido assim desde que você me disse que partiria






20.8.18

Você, meu bem

Você não caiu do céu, nem apareceu batendo na minha porta. Você foi o inesperado e sem pretensão que me apareceu, numa pastelaria de frente ao karaokê. Você conseguiu ser a exceção de muitas das minhas regras, e eu quebrei minhas próprias leis por você. Você é aquele neologismo quando eu quero procurar um adjetivo que melhor se encaixe, quando nenhum adjetivo é suficiente para definir você. Você não foi minha segunda opção, você é a minha escolha. Você passou a ser apenas meu, quando eu vi que já era só sua. E entre minhas rimas fora de contexto, tentei te fazer de poesia, mas poesia é subjetiva demais, abstrata demais, já você é real demais, concreto demais, verdadeiro demais para caber em meus versos. Você é aquele  predicativo do sujeito e o sujeito sou eu, você é meu verbo conjugado no futuro mais-que-perfeito, porque existe uma forma simples de conjugar o amor, e você me mostrou na prática, sem condições, imposições ou subtrações. Você me desfez, me virou do avesso, e eu abandonei algumas certezas na vida. Você me fez acreditar de novo e confiar de novo, você deu trégua ao meu coração cansado. E mesmo que não exista chão sob nossos pés, é segurando tua mão que quero percorrer esse caminho incerto e inseguro que somos nós.

6.7.18

Sofia, esperta

Sofia é minha vizinha, ela tem 4 anos, repito, quatro anos, ela estava brincando com Gabriel, que deve ter seus 5. Eu estava passando no meio dos brinquedos espalhados e tivemos um breve e profundo diálogo:

- Você é filha de quem? - Sofia me perguntou.
- De Marta, conhece?
- Não - ela respondeu.
- E tu, és filha de quem? - perguntei.
- De Michele.
- Também não conheço. E ele, é teu amigo? - perguntei, me referindo ao Gabriel.
- Não, ele é meu namorado! - Sofia respondeu prontamente. Fiquei sem saber o que dizer.
- Eu não sou seu namorado! - Gabriel protestou.
- Você é sim!!!! - sentenciou Sofia para nós.
O Gabriel acabou concordando, ela tinha muita certeza.
E eu saí dessa conversa tão atordoada que tropecei nas escadas.

Ah Sofia, tenho muito o que aprender com você!

3.5.18

te vejo

Eu te olhava como quem quer congelar o tempo.
E eu te via sorrindo, como uma criança que acabara de fazer uma arte
Gargalhando por ter me pregado alguma peça
Eu queria congelar o tempo quando eu olhava pra você.
E as vezes eu acordava no meio da noite pra te ver dormir.
Eu poderia passar todo o tempo olhando pra você

Você é a personificação dos sentimentos bons que eu guardo no peito
Você é o momento que eu congelei a muito tempo atrás para viver hoje.
Você é o lugar onde meus olhos encontram repouso e abrigo
E te ver aquece e derrete meu coração.

3.4.18

sobre nós

Sem seguir  a métrica e a homofonia,
eu rimei o tu comigo sem muito esforço.
Foi o juntar de corações que nos fazia
cada vez mais urgentes um para o outro...

23.2.18

Nosso carnaval

Eu acordei sem saber onde tava, e olhei para  a janela que dava para o mar, o sol nascia dali, e enchia o quarto de luz. Sentei, consegui reconhecer os livros, a mesinha, e senti sua mão na minha perna, você dormia atrás de mim. Sua barba ainda cheia de Glitter dos blocos que seguimos na noite anterior. E minhas pernas tão cansadas de tanto frevo. Fui ver que horas eram, e como sempre, acordei antes do despertador.
Todo aquele quarto, toda quela luz, tudo o que eu via naquele momento me dava paz.
As lembranças dos últimos três dias, as ladeiras, o suor, o calor, as quedas.
Nossas mãos dadas por aqueles becos, tendo aqueles casarões antigos como as únicas testemunhas do bloco eu e você.
Até que tudo virou cinzas e acordamos debaixo de chuva. Que folia!

Você é meu carnaval dentro e fora de época.
Minha fantasia favorita
Minha marchinha chiclete e
Confete colorindo o chão.
Minha quarta-feira de fogo depois de uma quarta-feira de cinzas!!

30.1.18

Vem, volta, fica

Quando ele voltar vai ouvir Lenine comigo, e vamos deitar naquela rede e ele vai fazer cafuné na minha cabeça.  Ele virá cheio de "abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim", porque já aceitamos que todo o clichê faz parte do nosso ato. Quando ele chegar trará vinho, porque ele sempre traz vinho, e eu vou reconhecer o cheiro dele assim que ele cruzar a fronteira. Quando ele chegar eu estarei esperando uma mensagem para pegar minha moto e encontrá-lo, como se fosse aquela primeira vez. Ele vai sussurrar no meu ouvido tudo o que eu já sei, mas que ele insiste em dizer só por charme. E eu vou sorrir um segundo antes de beijá-lo. E nós vamos fugir de blitz, entrar em becos, e ele vai dançar a música que eu quiser. Quando ele voltar nós vamos andar de mãos dadas pela praia, pelas ruas na madrugada, até nos dar conta de que já fomos longe demais e tá na hora de parar e ficarmos juntos.

Venha amorzinho, vem cá ser meu romancinho maçã-do-amor e algodão-doce. Venha estabelecer essa paz. Um dia seguido do outro sem pressa, e mesmo diante de tantos outros, venha pra sempre compor meus dias!



23.1.18

Aquele primeiro beijo

Quando você me beijou.

Foi como se o chão saísse dos meus pés.
Foi como se brotasse uma flor de cada poro do meu corpo.
Foi como se todo o ar se enchesse de um cheiro gostoso de mar.
Foi como se o vento embaraçasse meus cabelos na moto.
Foi como se meu corpo estivesse em queda livre.
Foi como se meu coração tocasse zabumba.
Foi como me sentir aquecida no meio da chuva.
Foi como se eu tivesse acabado de correr, sem ar.
Foi como se eu fosse derreter sob tuas mãos.
Foi como se teus braços fossem o meu lugar no mundo.
Foi como se eu estivesse sonhando...

Mas foi tão real.
E é tão real, e você é tão real,
E quando eu vejo que você tá aqui deitado do meu lado eu quase paro de respirar de tanta euforia, e meu coração só falta saltar do peito, e meu corpo, minha mente tem tanta paz, que eu não sinto medo de nada.
Você é foda!