"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

1.12.16

Aquilo que eu não quero saber





Ontem eu pensei que  meu ouvido fosse estourar.
Ontem minha barriga doeu tanto por causa da gastrite nervosa.
Ontem eu tive gastrite nervosa.
Ontem o sangue subiu de uma vez pra minha cabeça, que eu pensei que fosse jorrar pelos meus ouvidos.
Ontem meus ouvidos ficaram muito quentes, juro por Deus que eu pensei que tava saindo sangue.

Tudo isso por causa de uma mensagem que recebi, de uma amiga no instagram:
"Brisa, me passa teu numero que eu preciso falar com vc"

Aí eu só pensei no pior.
Só pensei que era uma coisa que ela queria me contar e eu não queria saber.
(Porque tem alguns "amigos" que só gostam de contar desgraça)
Pensei que fosse a coisa que eu mais temo no momento.
Mas, nem foi, era uma coisa super boa, um convite para um evento.
Aí eu fiquei tranquila
Minha gastrite parou, meu ouvido não sangrou. E eu fui dormir.


Mas lá no fundo eu sei que essa coisa ruim vai chegar, que essa noticia vai acabar comigo, e que minha gastrite vai atacar. Eu sei que vai acontecer. Mais cedo ou mais tarde eu vou saber.
E quando a onda bater vai me arrastar pro fundo, e eu não sei nadar...

27.11.16

Azia




Aquela sensação sufocante de não sei o que.
Aquela falta de ar, não sei porque.
Aquela agonia na alma,
Aquela azia no coração...

Aquele gesto comum de embolar uma mão na outra para descrever o quão confusa está a situação.
Isso resume tudo.

23.11.16

Para onde vão?



Entrei no carro, dei boa noite. Sorri.
No som, uma mulher cantava.
Era Whitney Houston perguntando para onde vão os corações partidos (Where do broken hearts go)
Fechei os olhos, encostei a cabeça no banco. Ri.

- Todos eu não sei, mas o meu vai pra todo lugar comigo, estamos indo a praia. Respondi.


18.11.16

Reinauguração




Importa é nos sentirmos vivos e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza,
A exata beleza que vem dos gestos espontâneos e do profundo instinto de subsistir enquanto as coisas ao redor se derretem e somem como nuvens errantes no universo estável.

Prosseguimos. Reinauguramos.
Abrimos os olhos gulosos a um sol diferente que nos acorda para os descobrimentos. [...]

Esta é a magia do tempo.
Esta é a colheita particular que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante,
no acreditar da vida e na doação de vivê-la em perpétua criação.

- Carlos Drummond









13.11.16

Sim, porque sim!



Entre o instante de agora e dois segundos atrás existe um infinito de possibilidades. Entre agora e o momento em que comecei a digitar existe uma pausa de 20 minutos, mas você não percebeu, porque pra você o tempo foi corrido, mas pra quem escreve há uma pausa longa, de pensamentos e possibilidades.
Quando eu disse que sim foi corrido na hora, pareceu impulsivo, mas eu já havia pensado nisso, e em todas as possibilidades depois disso.
Aprendi na terapia.
Aprendi com o Lewis também.
Aprendi com o Stott.
No final das contas eu falei sim.
E bom... Acho que é assim que as coisas começam a dar certo.

7.11.16

perspectiva

É manhã.
Abre os olhos.
Enche o peito.
Fecha os olhos.
Solta o ar...
Pensa:
"Hoje vai ser diferente"

E é!

6.6.16

Sobre Ele



Eu só queria dizer que você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, e que pensar num mundo sem você é a coisa mais triste e sem graça que eu poderia viver.
Queria dizer que hoje eu queria ter preparado um jantar, e decorado a casa bem colorida, ter feito coraçõezinhos de origami para colocar naquelas garrafas vazias que estão embaixo da lavanderia. Queria dizer que hoje, mais do que os outros dias, eu queria te dar um abraço bem apertado sem precisar falar nada, daqueles que traduzem o que a gente sente.
Queria que essas lágrimas de agora não existissem.
Queria que o tempo voltasse, e eu mudaria tanta coisa, por você, por mim...
Eu queria te dizer que eu sinto muito por tudo.
Queria que você soubesse que você é meu céu cheinho de estrelas depois de navegar no meio da tempestade.
E você merece tanta coisa boa, porque você é tanta coisa boa, você tem uma nobreza dentro de si, e carrega um coração tão grande dentro do peito, eu tenho tanto orgulho de você, da pessoa que você é por trás dessa armadura, e eu desejo tanto teu bem, quero tanto te ver bem, te ver em paz.
Queria te dizer que eu já fiz tanta escolha besta nessa vida, das quais me arrependo muito, mas de você eu nunca consigo me arrepender. É olhar pra nós e me ver sorrindo.
Eu nunca vou deixar de amar você, possa ser que um dia esse amor mude, amadureça, vire um carinho e cuidado bobos de quem nutre um sentimento bom pelo outro.
E vai ver que no fundo eu que não quero mesmo deixar de amar você.
Eu queria que você soubesse que antes de você não houve ninguém que me fizesse sentir tudo isso, e eu duvido muito que depois de você haja alguém que possa, você aumentou demais o nível, ficou difícil pra qualquer pessoa superar você.
Eu não sei como vai ser o futuro meu amor, não temos feito planos além de uma semana né? Mas eu prometo que vou tentar viver um dia de cada vez, aproveitar o que 24 horas pode nos oferecer de bom.
Eu poderia ficar falando aqui tanta coisa que tá acumulada no peito, mas meus leitores vão ficar com inveja de mim, então prefiro guardar o que sei de você só pra mim até pra evitar concorrência.

Quero que esse ano seja o melhor da sua vida!
Parabéns!

26.4.16

Sobre estar presa




Mais uma vez eu acordei, e mais uma vez ainda estou presa nesse mesmo corpo. Mesma história, mesmo passado, mesmas memorias, mesmas fotos, mesmos sentimentos. Por mais que eu queira esquecer tanta coisa, tudo isso me persegue todos os dias, sou estuprada toda manhã pelos meus fantasmas e pelo medo de continuar, pelo medo de parar, pelo medo de ir e de ficar. Respiro... vejo aquela imagem no espelho, cabelo, nariz, boca, 8 kg a menos, os ossos da clavícula saltam, parece que alguém sugou toda energia e beleza de uma vez só, marcas na alma, olheiras e pouco riso já são o suficiente para deixar transparecer mais uma noite em claro que passei, me torturando pensando o que não devia, esperado pelo dia em que vou acordar e me sentir confortável dentro desse corpo, conseguir gostar de mim de novo, me perdoar, me amar. Porque se nem eu consigo fazer isso, quem conseguirá?

22.4.16

Pode ficar se quiser




Querer você só pra mim é egoísta. Querer trancar você dentro de mim, sem deixar espaço pra você ser de mais ninguém é honesto, mas egoísta. Querer toda sua atenção, todos os olhares, os verbos, imperativos, mais-que-perfeitos e sobre tudo, futuros, é verdadeiro, mas muito egoísta.
Egoísta e mesquinho, porque uma vez que você era meu, e fez de si mesmo um lar pra me servir de abrigo, eu fechei a porta atrás de mim, preferí construir meu próprio mundo de cartas de baralho ao pé de uma janela.
Não precisou que todas as cartas caíssem de uma vez, uma só carta fez desmoronar toda estrutura fraca que era meu abrigo.
Fiz de ti uma ferida aberta exposta ao ácido. Fiz do tua dor não mais que duas linhas em meus textos. Fiz de ti a pessoa que mais me odiou nesses últimos anos.
Triste, pois eu que criei este Frankenstein que és, feito de pedaços do passado, do presente e do medo. Eu que te criei da forma mais bizarra e dolorosa possível. Fiz de ti uma colcha de retalhos, cacos colados aleatórios, sem beleza, sem forma, sem ordem... Uma bagunça.
E ainda assim tão egoísta que eu sou, te quis, sem te deixar respirar, sem te dar trégua, sem fechar a ferida, sem que, ao menos, tu pudesse se refazer. Te desfiz de novo, pendurei na sala novamente, incompleto, sem as peças do quebra cabeça, sem forma, sem verbo, sem futuro. Me fiz de abrigo, pequeno, apertado, desconfortável, você entrou com o receio de quem já escorregou em piso molhado, cada passinho de cada vez, até sentar-se no lugar mais próximo da porta, ficar perto da saída é mais confortável, eu entendo.
Mas saiba que dentro deste peito todos os espaços são seus, todas as paredes têm seu retrato, todo som tem tua voz, pode ficar e pendurar as chaves, e se precisar, a porta sempre estará aberta, para entrar e sair... Mas eu prefiro que fique.

17.4.16

Essa mala não te alça




Eu aceito mais essa bagagem, nessa altura do campeonato, aceitação é a palavra mais representativa. E eu vou levando como posso, como dá, entre uma lágrima e outra, a gente dá aquele sorrisinho de que está se conformando. Uma a mais, uma a menos não faz tanta diferença agora, nessa eu nem me dei ao trabalho em colocar "frágil, essa é uma daquelas memórias que preferimos que sejam extraviadas mesmo, que cheguem no destino aos pedaços, se possível. Hoje doeu. Doeu menos que ontem, talvez amanha doa um pouco menos. E assim são feito os cálculos de cada dia, contagem regressiva para o dia em que a dor será apenas aquela bagagem de mão que a gente carrega de vez em quando.