"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

28.6.17

Me desculpa meu bem

Desculpe meu bem, é que você foi aquela poesia mal rimada que a gente passa um traço e escreve outra coisa por cima.
Aquela palavra mal colocada, que não fez sentido algum no texto.
Aquela frase solta, que não carrega nenhuma ideia definida.

Desculpa mesmo, mas é que você foi uma rasura no meu texto sabe?
Não era pra ter sido, mas já que foi a gente conserta como dá.
A inspiração não foi você, a história não foi sobre você.
Vamos amassar essa folha, e eu vou escrever de novo, tá bem?
Sem você dessa vez.


1.6.17

De vez em quando

Vez ou outra ainda penso em você acredita?
Lembro daquele tereré que tomamos no estacionamento, das nossas teorias doidas de conexões e universo, do medo das câmeras de segurança, da musica na praia, de você dirigindo e segurando minha mão, daquele ritual de despedida sem fim que travávamos no meu portão.
Não sei porque você me vem a cabeça, se tudo foi tão bagunçado. E quando falam de você, só de ouvir seu nome meu coração atropela todos os outros pensamentos, e você fica na minha cabeça por horas.
Isso não é normal. Não pode ser!
Foi muito curto, foi muito pouco, foi muito rápido, algumas semanas até eu raciocinar direito e trocar seu nome na minha agenda por "Cilada Bino".

Eu odeio pensar tanto em você, e vez ou outra eu ainda penso em você, acredita?

8.5.17

Essa mala pesa

Sabe quando você vai viajar e você separa tudo o que vai levar, e quando vê, não cabe na mala.
E aí tem que fazer uma seleção do que é realmente importante e do que é dispensável. Mas aí você não consegue. E pega uma mala duas vezes maior que a anterior para poder carregar tudo.

E quando já está tudo dentro da mala, tudo o que você queria e não conseguiu se desfazer, você percebe que não dá pra carregar a bendita mala, porque está absurdamente pesada.

Tudo piora quando a mala é um coração.

27.4.17

Narrativa



... depois do efeito percorrer meu corpo e bagunçar minha mente, lembro que consigo ver algumas luzes fora de foco, a sensação era de leveza e sinto meu corpo sendo puxado por outro antes que eu desabe. A garrafa ainda estava em minhas mãos, alguém me carrega lentamente, enquanto me pergunta coisas sem sentido. Ouço o som do estilhaço da garrafa que escorregou de minhas mãos. O que me parece bem apropriado, já que nesses últimos dias não tenho conseguido segurar mais nada na vida com firmeza mesmo... Ele soltou um palavrão, que serviu para me acordar daquela sonolência e quando abro os olhos vejo outros me olhando de volta, com aquele olhar de bronca, e percebo que estou segura mais uma vez e sorrio. Ele balança a cabeça e solta um "não tem jeito mesmo" e me sorri de volta. Meus sapatos estão sendo tirados e minha cabeça afunda no travesseiro. Eu estou consciente, sei disso porque mais uma vez sinto o medo de sempre...
- Não desligue a lâmpada, e não me deixe só.
- Não vou sair daqui... nunca. - ele disse.

Só que eu estava lá quando o avião dele partiu, acenando e tentando entender o que aconteceu nas ultimas semanas. Como um "Oi" pode se transformar tão rápido num "Adeus".

25.4.17

Brinda aqui comigo


Aos 20 anos eu pensei que hoje eu estaria casada, e que eu não viveria um dia de ressaca nunca mais.  Mas não foi bem assim, eu pensei que hoje eu seria essa pessoa, uma pessoa super exemplar.

Aos 23 anos eu pensei que hoje eu estaria preocupada com meu vestido de noiva, e que estaria dirigindo meu próprio carro com responsabilidade. Mas dia desses recebi uma multa de excesso de velocidade na rodovia, tava lá minha foto na moto. Ainda não me tornei a pessoa que queria ser naquela época.

Aos 25 anos eu pensei que hoje eu estaria cuidando do meu jardim na minha casa, porque eu estava tão ocupada com tanta coisa que deixei meu cacto morrer, mas hoje eu teria um belo jardim com horta e tudo. Não foi bem assim... Hoje não é nada disso que quero.

Eu adoro acordar com silêncio de ninguém por perto todos os dias, tomar o café quentinho junto com minhas plantas. A ressaca no dia seguinte me prova como a noite anterior foi divertida, e os vídeos não negam isso. O excesso de velocidade foi quando viajei de moto pela primeira vez, meus cactos não morrem mais, mas não tenho horta e nem cachorros, mas penso constantemente em pegar um gatinho, e passo meu tempo com o que me acelera os batimentos cardíacos, isso inclui pessoas.

Talvez hoje eu não queira ser a pessoa que eu quis ser.
Mas eu ainda não terminei, há algumas viagens para fazer e algumas multas a pagar.
Mas o que mais me traz paz é saber que eu nunca mais serei a pessoa que quis ser!
A isso, um brinde!


11.4.17

Segue o fluxo

Não há nada mais emocionante do que saber que você está onde queria.
Tem muita coisa explodindo aqui fora, muita coisa prestes a dar errado.
Mas com o coração em paz a gente nem percebe o carnaval lá fora.
Estiquei os prazos, pedi prorrogações,  mas ao invés de sentar na frente de um computador eu viajei.
As prioridades se tornam outras com o tempo.
Não é aquele carro, nem aquele emprego, nem aquele relacionamento.
Antes o estável era meu objetivo, e hoje eu vejo que não quero nada estável demais, quero o chão balançando sob meus pés feito balsa.
Aquele frio no estômago e até aquela dorzinha da gastrite nervosa tem me agradado.
Quero algo mutável, que eu possa modelar ao meu gosto.
Hoje eu tenho mais certeza do que quero, e do que não quero, sem ninguém me dizendo o que fazer, como fazer, o que querer.
Depois que eu parei de querer agradar e impressionar, me senti mais livre para fazer o que me agrada, e ser quem eu sou, sem limitações impostas.

Tem muita coisa explodindo , muita coisa prestes a dar errado.
Mas com o coração em paz a gente nem percebe a guerra lá fora...


28.3.17

Acontece?




A sequencia é essa:
Primeiro nós vamos nos ver várias vezes ao dia todo dia, e depois vamos nos ver todo dia, e  vamos querer nos ver pra sempre. E vamos começar a nos ver um dia sim e um dia não, e vamos marcar de sair, mas vai dar errado, e vamos começar a nos ver quando der.
E você vai lá em casa de vez em quando, e vamos nos ver uma vez na semana, e depois uma vez a cada vinte dias. Depois vamos parar de dar bom dia, e depois parar de conversar. Aí vamos nos encontrar sem querer na casa dos nossos amigos naquela social, depois vamos nos encontrar na rua qualquer dia e eu vou perguntar como está na faculdade, e você vai me perguntar se eu consertei o violão. Aí depois de anos vamos passar um pelo outro na rua e fingir que não nos vimos, até o dia que nem vamos mais lembrar do que aconteceu entre nós.
É assim que acontece.

Será que é assim que vai acontecer com a gente?

27.3.17

Que bagunça



Não adianta quantas vezes eu diga que não, que não quero, que não posso, que não dá, que não insista, que não rola, que não é assim, entra por um ouvido e sai pelo outro.
Meu cérebro não assimila a informação que sai da minha boca.
E cada vez que grito pra você sumir, é para que eu ouça minha voz te mandando embora, e me convença de que é isso mesmo que eu quero.
Como te fazer acreditar em algo que nem eu acredito?

24.3.17

Amor de verão

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Passou né, nosso amor de verão.
Começou naquela praia deserta só nós dois, deitados na canga sob a desculpa de que queríamos pegar sol, mas na verdade era pra ficar mais perto.
E aquela musica clichê que eu coloquei pra tocar. Entre nossas gargalhadas SOJA cantava True Love, e nós parecíamos estar num filme de paia com a trilha sonora perfeita.
Você foi como aquele rit chiclete de verão, que gruda na cabeça, que a gente lembra toda hora quando não tá fazendo nada, ou quando tá fazendo alguma coisa, principalmente por causa daquele perfume que insistia em não sair da minha roupa.
Você foi como aquela estação de rádio, que a gente ouve todo dia, que passa as mesmas músicas, e a gente não enjoa, toda hora era hora, e todo dia era dia.
Você foi como o verão, intenso, quente, e suado, quanto menos roupa melhor, é assim né?
Mas passou, foi mais uma estação, e você não combina com o outono, você não tem nada de escuro e chuvoso. Você é puro sol.

Meu sol de verão passageiro, quem sabe se o céu abrir a gente não pegue um bronze por aí.

Três beijos!

22.3.17

Fala baixo




Estou ficando despida de tantos segredos que você desabotoa do meu vestido, e agora o que nos resta senão essas roupas pelo chão, e a verdade nua entre nós?