"Quem tinha tempo para a poesia? Pois ela comprou um carrinho invisível e começou a catar palavrão" Rita Apoena

6.6.16

Sobre Ele



Eu só queria dizer que você foi a melhor coisa que já aconteceu na minha vida, e que pensar num mundo sem você é a coisa mais triste e sem graça que eu poderia viver.
Queria dizer que hoje eu queria ter preparado um jantar, e decorado a casa bem colorida, ter feito coraçõezinhos de origami para colocar naquelas garrafas vazias que estão embaixo da lavanderia. Queria dizer que hoje, mais do que os outros dias, eu queria te dar um abraço bem apertado sem precisar falar nada, daqueles que traduzem o que a gente sente.
Queria que essas lágrimas de agora não existissem.
Queria que o tempo voltasse, e eu mudaria tanta coisa, por você, por mim...
Eu queria te dizer que eu sinto muito por tudo.
Queria que você soubesse que você é meu céu cheinho de estrelas depois de navegar no meio da tempestade.
E você merece tanta coisa boa, porque você é tanta coisa boa, você tem uma nobreza dentro de si, e carrega um coração tão grande dentro do peito, eu tenho tanto orgulho de você, da pessoa que você é por trás dessa armadura, e eu desejo tanto teu bem, quero tanto te ver bem, te ver em paz.
Queria te dizer que eu já fiz tanta escolha besta nessa vida, das quais me arrependo muito, mas de você eu nunca consigo me arrepender. É olhar pra nós e me ver sorrindo.
Eu nunca vou deixar de amar você, possa ser que um dia esse amor mude, amadureça, vire um carinho e cuidado bobos de quem nutre um sentimento bom pelo outro.
E vai ver que no fundo eu que não quero mesmo deixar de amar você.
Eu queria que você soubesse que antes de você não houve ninguém que me fizesse sentir tudo isso, e eu duvido muito que depois de você haja alguém que possa, você aumentou demais o nível, ficou difícil pra qualquer pessoa superar você.
Eu não sei como vai ser o futuro meu amor, não temos feito planos além de uma semana né? Mas eu prometo que vou tentar viver um dia de cada vez, aproveitar o que 24 horas pode nos oferecer de bom.
Eu poderia ficar falando aqui tanta coisa que tá acumulada no peito, mas meus leitores vão ficar com inveja de mim, então prefiro guardar o que sei de você só pra mim até pra evitar concorrência.

Quero que esse ano seja o melhor da sua vida!
Parabéns!

26.4.16

Sobre estar presa




Mais uma vez eu acordei, e mais uma vez ainda estou presa nesse mesmo corpo. Mesma história, mesmo passado, mesmas memorias, mesmas fotos, mesmos sentimentos. Por mais que eu queira esquecer tanta coisa, tudo isso me persegue todos os dias, sou estuprada toda manhã pelos meus fantasmas e pelo medo de continuar, pelo medo de parar, pelo medo de ir e de ficar. Respiro... vejo aquela imagem no espelho, cabelo, nariz, boca, 8 kg a menos, os ossos da clavícula saltam, parece que alguém sugou toda energia e beleza de uma vez só, marcas na alma, olheiras e pouco riso já são o suficiente para deixar transparecer mais uma noite em claro que passei, me torturando pensando o que não devia, esperado pelo dia em que vou acordar e me sentir confortável dentro desse corpo, conseguir gostar de mim de novo, me perdoar, me amar. Porque se nem eu consigo fazer isso, quem conseguirá?

22.4.16

Pode ficar se quiser




Querer você só pra mim é egoísta. Querer trancar você dentro de mim, sem deixar espaço pra você ser de mais ninguém é honesto, mas egoísta. Querer toda sua atenção, todos os olhares, os verbos, imperativos, mais-que-perfeitos e sobre tudo, futuros, é verdadeiro, mas muito egoísta.
Egoísta e mesquinho, porque uma vez que você era meu, e fez de si mesmo um lar pra me servir de abrigo, eu fechei a porta atrás de mim, preferí construir meu próprio mundo de cartas de baralho ao pé de uma janela.
Não precisou que todas as cartas caíssem de uma vez, uma só carta fez desmoronar toda estrutura fraca que era meu abrigo.
Fiz de ti uma ferida aberta exposta ao ácido. Fiz do tua dor não mais que duas linhas em meus textos. Fiz de ti a pessoa que mais me odiou nesses últimos anos.
Triste, pois eu que criei este Frankenstein que és, feito de pedaços do passado, do presente e do medo. Eu que te criei da forma mais bizarra e dolorosa possível. Fiz de ti uma colcha de retalhos, cacos colados aleatórios, sem beleza, sem forma, sem ordem... Uma bagunça.
E ainda assim tão egoísta que eu sou, te quis, sem te deixar respirar, sem te dar trégua, sem fechar a ferida, sem que, ao menos, tu pudesse se refazer. Te desfiz de novo, pendurei na sala novamente, incompleto, sem as peças do quebra cabeça, sem forma, sem verbo, sem futuro. Me fiz de abrigo, pequeno, apertado, desconfortável, você entrou com o receio de quem já escorregou em piso molhado, cada passinho de cada vez, até sentar-se no lugar mais próximo da porta, ficar perto da saída é mais confortável, eu entendo.
Mas saiba que dentro deste peito todos os espaços são seus, todas as paredes têm seu retrato, todo som tem tua voz, pode ficar e pendurar as chaves, e se precisar, a porta sempre estará aberta, para entrar e sair... Mas eu prefiro que fique.

17.4.16

Essa mala não te alça




Eu aceito mais essa bagagem, nessa altura do campeonato, aceitação é a palavra mais representativa. E eu vou levando como posso, como dá, entre uma lágrima e outra, a gente dá aquele sorrisinho de que está se conformando. Uma a mais, uma a menos não faz tanta diferença agora, nessa eu nem me dei ao trabalho em colocar "frágil, essa é uma daquelas memórias que preferimos que sejam extraviadas mesmo, que cheguem no destino aos pedaços, se possível. Hoje doeu. Doeu menos que ontem, talvez amanha doa um pouco menos. E assim são feito os cálculos de cada dia, contagem regressiva para o dia em que a dor será apenas aquela bagagem de mão que a gente carrega de vez em quando.

9.3.16

Mais uma constatação




A pasta estava pronta, todos os anos cuidadosamente separados em meses, mas eu nunca tive coragem de excluir as fotos. Nem de jogar fora a 3x4 na minha carteira, nem de mudar o nome no meu celular, nem de me desfazer daquele livrinho com dedicatória. Eu tinha me acomodado a ter você, ao conforto da sua voz, ao encaixe do nosso corpo, era mais do que me desfazer de coisinhas pequenas, era excluir todos os sorrisos nos lugares mais legais que já fui, jogar fora a lembrança que eu tinha de que eu não sou daqui, cada vez que eu abria a carteira e via seu rosto quando ia comprar mais um tomate transgênico, tirar aquele apelido no aumentativo que me fazia rir toda vez que você ligava era mudar você dentro de mim, me desfazer da verdade mais bonita que eu vivi e que estava lá naquela primeira página daquele livrinho, era mais do que eu podia suportar.
Era apagar os anos mais floridos,  viver sem ter sorrido, sem ter motivo pra voltar, sem ter graça, nem verdade, porque era isso que você representava pra mim, era mais do que eu esperava que você fosse, era mais uma das descobertas que fiz sobre mim mesma, a descoberta de que preciso de você mais do que supunha.

27.2.16

Eu odeio você te amo



Eu quero te dar um tapa na cara por você ser tão ridículo, também quero colocar sua cabeça no meu peito e fazer cafuné até você dormir. Eu tenho uma vontade imensa de te dar um soco no estômago, ao mesmo tempo que tenho vontade de tirar tua roupa. Meu pé grita para chutar seu saco, e minha boca grita pela sua. Eu te odeio como te amo. Quero que você suma da minha vida e pegue um avião pra vir me ver. Quero te largar da mesma forma que largaria tudo aqui por você. Quero esquecer você como quem esquece de respirar.


 Eu te amo e dane-se!  Porra! Que merda!

25.2.16

Dias infernais




Os dias terríveis existem sim! Existem porque há em nós uma natureza caótica, causadora da desordem. E principalmente em um coração pesado de dores e mágoas, bater de frente com os acontecimentos do destino causa uma reação que gera mais dor nos que estão ao redor do que em si.
Esses temores do coração enfraquecem pouco a pouco a alma, são como deixar a carne exposta ao ácido. Então pelos dedos escoam as palavras, e de que forma escoaria o coração se não pelos olhos? E aí, a alma prende-se aos medos, mesmo sendo ela livre, dividide-se entre o voar e o enraizar, vivendo um ciclo vicioso masoquista de ferir-se lentamente. E é nesses passos trôpegos, que eu entendo muito pouco, amo muito mais, e sigo.





22.2.16

Finda o horário de verão

Meu dia começou assim, sendo dia 21 às 00 hrs, mas aí teve que voltar para o dia 20 e esperar mais uma hora para ser dia 21 de novo, confuso.
Depois que ele conseguiu ser dia 21, ele deixou pra trás todo o verão e começou como um outono.
Até ontem eu caçava borboletas no sol, mas hoje me limitei a ler um livro enquanto chovia lá fora.

Tudo isso é transição e confusão, tudo isso resume quem sou.
Toda confusão em efusão dentro deste corpo de 59 kg se traduz em transição.

Eu escrevi essa palavra várias vezes pra ver se fazia algum sentido pra mim "transição", pensei que quem está em transição um dia para em algum lugar, para de transitar né? O verão passou para outono, o outono vai ser outono por um bom tempo antes que seja inverno.

Mas e eu?

Eu ainda não estou no destino final, ainda não sou definitiva. E que cada estação vai corrigindo a anterior, como uma nova edição de um livro antigo, será que um dia há de haver uma edição definitiva? Sem consertos, imutável, intransicionável?

Sei lá!

Só não quero continuar sendo pedaços de edições anteriores, mudando de trem com bilhetes de viagens anteriores nos bolsos. Pulando para o outono de chapéu de praia...
Cada transição por vez, até que a porta se feche, até que a alma sare


Cada corte sendo fechado, leva tempo, cuidado e repouso, mas é melhor assim para não correr o risco de abrir novamente. Eu gosto das cicatrizes da alma, me fazem lembrar quem fui, quem sou, quem quero ser, me fazem lembrar que cada 21 de outono a maior transição foi de mim para mim mesma.

16.2.16

Café e tempestades




Tudo é tão novo, tão vivo, tão intenso. Como se cada dia fosse a primeira vez, cada sentimento vem como um turbilhão de redemoinhos em uma pequena xícara de café com a qual começo o dia, tentando engolir os sete mares de uma vez.

É tudo igual, tudo se repete milimetricamente na mesma posição que no dia anterior. No lado esquerdo da caixa torácica. É ali que ele bate na porta, é ali, naquelas primeiras horas da manhã que eu deixo ele entrar, tomamos alguns redemoinhos de café e, como sempre, ele gruda na minha alma como tatuagem. Aquele tempo verbal que passou, mas que continua conjugando meus verbos.

Novo, é o sentimento antigo que fere a alma não acostumada, novo é o derramar-se pela alma ferida todos os dias de forma similar ao dia anterior, novo é o velho arrependimento de uma felicidade perturbada pela velha alma ferida. Novo é o sentimento de querer abandonar esse velho coração tempestuoso, por uma xícara de café e brisa, só assim quando a maré baixar, darei o primeiro gole.


4.2.16

A borra do meu café



Assim que terminei de tomar o café perguntei "Quem sabe ler a borra?", aí o professor respondeu "Eu sei Bri, dá aqui que eu vou ler seu futuro". Nessa hora, todos que estavam na sala prestaram atenção.

- Ih Bri, olha parece que tem alguma coisa aqui que tá fugindo! - ele falou e mostrou a xícara pra nós.
- O que isso significa? - perguntei descrente.
- Ó, prestenção, você vai gostar de alguém, e esse alguém não vai gostar de você... - fez uma pausa - Vixi, você vai correr tanto atras dessa pessoa, ela não vai dar muita bola pra você não em...
- Tem certeza que é sobre o futuro Roger?- perguntei.
- Ué, tenho, tá aqui o desenho - ele mostrou a xícara de novo.
- Isso tá parecendo meu presente... 

Conclusão: a borra tá atrasada.